O TÚNEL PARA O BURACO NEGRO
Jules continua sua espiral descendente em direção ao horizonte do buraco negro. O esplendor do céu estrelado enche-o de medo. Muito longe do buraco negro o disco de gás que o circunda forma uma espécie de chão escuro diretamente abaixo do foguete, enquanto o céu acima está completamente claro e cintila com inumeráveis estrelas. Ma à medida que Jules fica mais próximo do buraco negro, a escuridão, que em princípio se estirava somente sobre o disco, se espalha sobre todo o espaço em torno de cápsula. É como se a escuridão estivesse se fechando sobre ele. Agora podemos ver o céu estrelado somente através de uma estreita abertura circular acima de sua cápsula. Ele sente como se estivesse precipitando num longo túnel cuja abertura fica cada vez mais estreita. O motivo pelo qual a escuridão espalha seu véu sobre Jules é que o intenso campo de gravidade do buraco negro captura os raios de luz do mundo exterior e concentra-os num feixe estreito que converge acima da cápsula espacial. Em vez de seguir trajetórias horizontais ou oblíquas, os raios de luz são forçados pela gravidade a seguir ao longo de caminhos verticais. A luz visível se torna em raios-X. Jules já não pode admirar suas estrelas favoritas com seus próprios olhos, mas pode ainda facilmente vê-las com seu telescópio de raios-X de bordo.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
LANÇAMENTO
Conheça a verdadeira face do mal no livro ´666 O Selo da Besta´, do autor Leopoldino Ferreira, lançado no dia 12 de setembro de 2008.
www.edicoesgalobranco.com.br
sac@edicoesgalobranco.com.br
Av. Presidente Vargas, 482, sl. 716, centro, Rio de Janeiro-RJ.
CEP: 20071-000 Tel.: (21)2283-1742 Telefax: (21)2253-8396.
O AUTOR
LS Ferreira (nascido Leopoldino dos Santos Ferreira) nasceu em Santarém, Estado do Pará, em 20 de Julho de 1935. Fez o curo primário no Grupo Escolar e na Escola Baptista de Santarém. Logo cedo trabalhou na iniciativa privada. Fez o Artigo 91(atual Supletivo) e o antigo Curso Científico no Colégio Estadual Paes de Carvalho, em Belém, e na Moderna Associação Brasileira de Ensino (MABE), no Rio de Janeiro. Controlador de Vôo. Bacharel e Licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Mestre em Ciências pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPE-UFRJ). Foi estagiário no Instituto de Pesquisa Nuclear de Jülich, Alemanha. Doutor e Livre Docente em Física pela UFPA. Nessa instituição fundou o Laboratório de Radiações. Foi chefe do departamento e coordenador do Curso de Mestrado em Física. Orientou duas Teses de Mestrado em Física. É autor de dois livros artesanais. Editou o livro Sedução Fatal, romance, pela editora Paka-Tatu, que mereceu uma resenha no site polonês Gazeta Wyborcza, junto com o Nobel de literatura Gabriel Garcia Marque e outros autores sul-americanos; e Suzanes, crônica, pela editora Galo Branco, lançado na Academia Brasileira de Letras(ABL), em março de 2007. Colaborou com o jornal O Liberal, em divulgação científica, com o título “Físicos e Filósofos”.
Conheça a verdadeira face do mal no livro ´666 O Selo da Besta´, do autor Leopoldino Ferreira, lançado no dia 12 de setembro de 2008.
www.edicoesgalobranco.com.br
sac@edicoesgalobranco.com.br
Av. Presidente Vargas, 482, sl. 716, centro, Rio de Janeiro-RJ.
CEP: 20071-000 Tel.: (21)2283-1742 Telefax: (21)2253-8396.
O AUTOR
LS Ferreira (nascido Leopoldino dos Santos Ferreira) nasceu em Santarém, Estado do Pará, em 20 de Julho de 1935. Fez o curo primário no Grupo Escolar e na Escola Baptista de Santarém. Logo cedo trabalhou na iniciativa privada. Fez o Artigo 91(atual Supletivo) e o antigo Curso Científico no Colégio Estadual Paes de Carvalho, em Belém, e na Moderna Associação Brasileira de Ensino (MABE), no Rio de Janeiro. Controlador de Vôo. Bacharel e Licenciado em Matemática pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e Mestre em Ciências pela Coordenação dos Programas de Pós-Graduação de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPE-UFRJ). Foi estagiário no Instituto de Pesquisa Nuclear de Jülich, Alemanha. Doutor e Livre Docente em Física pela UFPA. Nessa instituição fundou o Laboratório de Radiações. Foi chefe do departamento e coordenador do Curso de Mestrado em Física. Orientou duas Teses de Mestrado em Física. É autor de dois livros artesanais. Editou o livro Sedução Fatal, romance, pela editora Paka-Tatu, que mereceu uma resenha no site polonês Gazeta Wyborcza, junto com o Nobel de literatura Gabriel Garcia Marque e outros autores sul-americanos; e Suzanes, crônica, pela editora Galo Branco, lançado na Academia Brasileira de Letras(ABL), em março de 2007. Colaborou com o jornal O Liberal, em divulgação científica, com o título “Físicos e Filósofos”.
quinta-feira, 11 de setembro de 2008
Realidade ou hipocrisia?
Tempos atrás o povo dos Estados Unidos era conhecido no mundo inteiro por ter um elevado grau de racismo em relação aos negros. Muitas batalhas e crimes apareceram nas páginas policiais dos jornais acerca do ódio que os brancos nutriam pelos negros. De repente o mundo vê o presidente Bush admitir negros no seu governo civil e nas forças armadas, e generais para comandar tropas em várias partes do mundo principalmente na guerra do Iraq como foi o comandante em chefe Collins Power, posteriormente nomeado Secretário de Estado daquele país.
No seu segundo mandato o presidente Bush tomou como Secretária de Estado a srta. Condoleezza Rice, também negra. Esses fatos se constituíram numa surpresa para muita gente, notadamente para o povo latino-americano. Entretanto se sabe que há um profundo preconceito em relação aos latinos, principalmente sobre os mexicanos. Após a tragédia do World Trade Center, em 11 de Setembro de 2001, esse preconceito foi reforçado contra os muçulmanos, o que é até compreensível.
Agora mais surpreendente é o momento atual. Há um negro como candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, o sr. Barack Obama de origem africana. A questão é: O povo dos Estados Unidos mudou seu consciente coletivo ou é hipocrisia?
Leopoldino Ferreira.
Tempos atrás o povo dos Estados Unidos era conhecido no mundo inteiro por ter um elevado grau de racismo em relação aos negros. Muitas batalhas e crimes apareceram nas páginas policiais dos jornais acerca do ódio que os brancos nutriam pelos negros. De repente o mundo vê o presidente Bush admitir negros no seu governo civil e nas forças armadas, e generais para comandar tropas em várias partes do mundo principalmente na guerra do Iraq como foi o comandante em chefe Collins Power, posteriormente nomeado Secretário de Estado daquele país.
No seu segundo mandato o presidente Bush tomou como Secretária de Estado a srta. Condoleezza Rice, também negra. Esses fatos se constituíram numa surpresa para muita gente, notadamente para o povo latino-americano. Entretanto se sabe que há um profundo preconceito em relação aos latinos, principalmente sobre os mexicanos. Após a tragédia do World Trade Center, em 11 de Setembro de 2001, esse preconceito foi reforçado contra os muçulmanos, o que é até compreensível.
Agora mais surpreendente é o momento atual. Há um negro como candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata, o sr. Barack Obama de origem africana. A questão é: O povo dos Estados Unidos mudou seu consciente coletivo ou é hipocrisia?
Leopoldino Ferreira.
Conheça a verdadeira face do mal
Lançamento
Haverá o lançamento do livro, ´666 O Selo da Besta´, do autor Leopoldino Ferreira, no dia 12 de setembro próximo.
www.edicoesgalobranco.com.br
sac@edicoesgalobranco.com.br
Av. Presidente Vargas, 482, sl. 716, centro, Rio de Janeiro-RJ.
CEP: 20071-000 Tel.: (21)2283-1742 Telefax: (21)2253-8396.
Lançamento
Haverá o lançamento do livro, ´666 O Selo da Besta´, do autor Leopoldino Ferreira, no dia 12 de setembro próximo.
www.edicoesgalobranco.com.br
sac@edicoesgalobranco.com.br
Av. Presidente Vargas, 482, sl. 716, centro, Rio de Janeiro-RJ.
CEP: 20071-000 Tel.: (21)2283-1742 Telefax: (21)2253-8396.
LENTES GRAVITACIONAIS
Jules tinha que voltar porque seu corpo já não podia suportar as forças de maré exercidas pelo buraco negro. Ficamos frustrados de não saber o que acontece do outro lado da superfície do horizonte. Adoraríamos contar o fim da história. Para satisfazer nossa curiosidade, gostaria de sermos um deus onipotente e dar a Jules o poder do super-homem para resistir às preponderantes forças de maré, as quais lhe permitiriam traçar seu caminho até a última singularidade.
No texto repassado, Jules descia em espiral descendente direto à superfície do horizonte. Ele não pode parar admirar o magnífico espetáculo do firmamento estrelado em torno dele. Apenas uma pequena parte do céu fica obscurecida por pelo disco opaco do buraco negro imediatamente abaixo dele. Diante de um fundo retinto, brilham inumeráveis pontos de luz, mostrando as estrelas da Via Láctea em todo seu esplendor. Com a ajuda de um telescópio de bordo, Jules pôde admirar mais objetos difusos e menos ofuscantes; esses são galáxias semelhantes à Via Láctea, reuniões de centenas de bilhões de estrelas ligadas pela gravidade, entre centenas de bilhões de outras formações que existem no universo observável. A primeira vista, pareceria que os buracos negros bloqueariam todas as estrelas e galáxias localizadas atrás dele. Na verdade isso seria o caso se a luz se propagasse em linha reta. Mas, como sabemos agora, não é assim. O campo gravitacional do buraco negro atua efetivamente como uma lente que dobra os raios de luz. A luz emitida por uma fonte pontual no extremo oposto do buraco negro surfam sobre o horizonte posterior e reconvergem no lado anterior para produzir um anel tênue emoldurando o disco obscuro. O buraco negro atua como as lentes de seus óculos, os quais curvam a luz para corrigir sua miopia. Contudo, neste caso particular, a lente não é feita de do vidro comum, mas do espaço distorcido e curvado pela gravidade do buraco negro. Daí o nome “lente gravitacional.” Dentro do anel que circunda o buraco negro, Jules pode vislumbrar múltiplas imagens de cada estrela bloqueada pelo buraco negro. A primeira imagem resulta da luz desviada à direita do buraco negro; uma segunda imagem do desvio à esquerda; outra terceira resulta da luz que circula completamente em torno do buraco negro, e assim por diante. A luz emitida por uma estrela tem diferentes caminhos através do campo de gravidade do buraco negro, criando assim múltiplas imagens. Jules não vê a estrela real, a qual fica obscurecida pelo buraco negro, mas múltiplas imagens dela.
Einstein havia predito esse fenômeno gravitacional já em 1936. Era essa uma das várias inesperadas ramificações da relatividade geral. Como todas as grande teorias científicas, esta, também, é um fabuloso e inexaurível tesouro que nunca cessa de dar novas riquezas aos físicos. Einstein havia calculado que quando duas estrelas estão exatamente alinhadas com a Terra, a mais distante produziria duas imagens: uma imagem pontual normal e, circundando-a, uma segunda imagem em forma de anel, que é a miragem gravitacional causada pela gravidade da estrela mais próxima. Einstein acreditava que tal alinhamento era altamente improvável e que ninguém veria uma miragem cósmica no céu. Uma vez mais, ele estava muito além do seu tempo. Só em 1979 foi identificada a primeira lente gravitacional, embora os atores envolvidos nesta saga eram bem diferentes do que Einstein havia previsto. A estrela distante era realmente um quasar, um desses objetos que emitem uma tremenda quantidade de energia que eles aparecem tão brilhantes como uma estrela próxima, a despeito de estarem localizados próximos ao limite do universo observável. O objeto mais próximo fazendo o papel de lente gravitacional era uma galáxia inteira, em vez de uma simples estrela. Quando a luz vinda do distante quasar aproximou-se do campo gravitacional da galáxia, ela tomou dois caminhos diferentes para ficar em torno dela, um pela direita outro pela esquerda, produzindo assim duas imagens absolutamente idênticas em cada lado da galáxia. De fato, foi precisamente a proximidade e a grande similaridade destas duas imagens que alertaram os astrônomos. Tal estupenda semelhança não podia ser acidental, mas somente podia resultar de múltiplas imagens de um único objeto.
Desde então, a procura por lentes gravitacionais tem continuado continuamente. Os esforços têm sido amplamente recompensados. Cerca de duas dúzias delas foram descobertas. As galáxias não são os únicos objetos capazes de atuar como lentes gravitacionais. Aglomerado de galáxias – coleções de milhares de galáxias ligadas pela gravidade – podem produzir belas figuras. As imagens de certas galáxias ou quasares distantes têm sido observadas em conjuntos de dois, três, e mesmo quatro. Se o alinhamento do objeto distante, a lente, e a Terra é perfeito, então as imagens tomam a forma de um anel, exatamente como Einstein previu. Com o mais leve desvio do alinhamento perfeito, o anel se parte em múltiplos arcos luminosos.
Os astrônomos tiveram um grande trabalho estudando lentes gravitacionais que eles acreditam que isso pode ajudá-los a resolver um dos grandes mistérios da astrofísica moderna – a saber, a massa escura do universo. Acontece que vivemos num universo que pode ser assemelhado a um iceberg. Mais de 90 por cento da massa do universo não emite qualquer radiação absolutamente. A matéria que brilha (estrelas e galáxias) é somente a ponta do iceberg. Contudo, há uma diferença fundamental entre um iceberg e o universo. Enquanto podemos estar certo de que a parte submersa de um iceberg é feita de gelo, a quantidade e a natureza da matéria escura permanece um mistério completo. Até que alguma luz possa ser derramada sobre o problema, os astrônomos estão literalmente tateando no escuro. Eles sabem que as lentes gravitacionais criam miragens cósmicas através do seu campo gravitacional, o qual por sua vez depende da massa total, tanto visível como invisível, contida na galáxia ou aglomerado de galáxias atuando como uma lente. Portanto, as miragens gravitacionais são como postos de sinalização da matéria escura e podem ajudar a determinar sua quantidade.
.
Jules tinha que voltar porque seu corpo já não podia suportar as forças de maré exercidas pelo buraco negro. Ficamos frustrados de não saber o que acontece do outro lado da superfície do horizonte. Adoraríamos contar o fim da história. Para satisfazer nossa curiosidade, gostaria de sermos um deus onipotente e dar a Jules o poder do super-homem para resistir às preponderantes forças de maré, as quais lhe permitiriam traçar seu caminho até a última singularidade.
No texto repassado, Jules descia em espiral descendente direto à superfície do horizonte. Ele não pode parar admirar o magnífico espetáculo do firmamento estrelado em torno dele. Apenas uma pequena parte do céu fica obscurecida por pelo disco opaco do buraco negro imediatamente abaixo dele. Diante de um fundo retinto, brilham inumeráveis pontos de luz, mostrando as estrelas da Via Láctea em todo seu esplendor. Com a ajuda de um telescópio de bordo, Jules pôde admirar mais objetos difusos e menos ofuscantes; esses são galáxias semelhantes à Via Láctea, reuniões de centenas de bilhões de estrelas ligadas pela gravidade, entre centenas de bilhões de outras formações que existem no universo observável. A primeira vista, pareceria que os buracos negros bloqueariam todas as estrelas e galáxias localizadas atrás dele. Na verdade isso seria o caso se a luz se propagasse em linha reta. Mas, como sabemos agora, não é assim. O campo gravitacional do buraco negro atua efetivamente como uma lente que dobra os raios de luz. A luz emitida por uma fonte pontual no extremo oposto do buraco negro surfam sobre o horizonte posterior e reconvergem no lado anterior para produzir um anel tênue emoldurando o disco obscuro. O buraco negro atua como as lentes de seus óculos, os quais curvam a luz para corrigir sua miopia. Contudo, neste caso particular, a lente não é feita de do vidro comum, mas do espaço distorcido e curvado pela gravidade do buraco negro. Daí o nome “lente gravitacional.” Dentro do anel que circunda o buraco negro, Jules pode vislumbrar múltiplas imagens de cada estrela bloqueada pelo buraco negro. A primeira imagem resulta da luz desviada à direita do buraco negro; uma segunda imagem do desvio à esquerda; outra terceira resulta da luz que circula completamente em torno do buraco negro, e assim por diante. A luz emitida por uma estrela tem diferentes caminhos através do campo de gravidade do buraco negro, criando assim múltiplas imagens. Jules não vê a estrela real, a qual fica obscurecida pelo buraco negro, mas múltiplas imagens dela.
Einstein havia predito esse fenômeno gravitacional já em 1936. Era essa uma das várias inesperadas ramificações da relatividade geral. Como todas as grande teorias científicas, esta, também, é um fabuloso e inexaurível tesouro que nunca cessa de dar novas riquezas aos físicos. Einstein havia calculado que quando duas estrelas estão exatamente alinhadas com a Terra, a mais distante produziria duas imagens: uma imagem pontual normal e, circundando-a, uma segunda imagem em forma de anel, que é a miragem gravitacional causada pela gravidade da estrela mais próxima. Einstein acreditava que tal alinhamento era altamente improvável e que ninguém veria uma miragem cósmica no céu. Uma vez mais, ele estava muito além do seu tempo. Só em 1979 foi identificada a primeira lente gravitacional, embora os atores envolvidos nesta saga eram bem diferentes do que Einstein havia previsto. A estrela distante era realmente um quasar, um desses objetos que emitem uma tremenda quantidade de energia que eles aparecem tão brilhantes como uma estrela próxima, a despeito de estarem localizados próximos ao limite do universo observável. O objeto mais próximo fazendo o papel de lente gravitacional era uma galáxia inteira, em vez de uma simples estrela. Quando a luz vinda do distante quasar aproximou-se do campo gravitacional da galáxia, ela tomou dois caminhos diferentes para ficar em torno dela, um pela direita outro pela esquerda, produzindo assim duas imagens absolutamente idênticas em cada lado da galáxia. De fato, foi precisamente a proximidade e a grande similaridade destas duas imagens que alertaram os astrônomos. Tal estupenda semelhança não podia ser acidental, mas somente podia resultar de múltiplas imagens de um único objeto.
Desde então, a procura por lentes gravitacionais tem continuado continuamente. Os esforços têm sido amplamente recompensados. Cerca de duas dúzias delas foram descobertas. As galáxias não são os únicos objetos capazes de atuar como lentes gravitacionais. Aglomerado de galáxias – coleções de milhares de galáxias ligadas pela gravidade – podem produzir belas figuras. As imagens de certas galáxias ou quasares distantes têm sido observadas em conjuntos de dois, três, e mesmo quatro. Se o alinhamento do objeto distante, a lente, e a Terra é perfeito, então as imagens tomam a forma de um anel, exatamente como Einstein previu. Com o mais leve desvio do alinhamento perfeito, o anel se parte em múltiplos arcos luminosos.
Os astrônomos tiveram um grande trabalho estudando lentes gravitacionais que eles acreditam que isso pode ajudá-los a resolver um dos grandes mistérios da astrofísica moderna – a saber, a massa escura do universo. Acontece que vivemos num universo que pode ser assemelhado a um iceberg. Mais de 90 por cento da massa do universo não emite qualquer radiação absolutamente. A matéria que brilha (estrelas e galáxias) é somente a ponta do iceberg. Contudo, há uma diferença fundamental entre um iceberg e o universo. Enquanto podemos estar certo de que a parte submersa de um iceberg é feita de gelo, a quantidade e a natureza da matéria escura permanece um mistério completo. Até que alguma luz possa ser derramada sobre o problema, os astrônomos estão literalmente tateando no escuro. Eles sabem que as lentes gravitacionais criam miragens cósmicas através do seu campo gravitacional, o qual por sua vez depende da massa total, tanto visível como invisível, contida na galáxia ou aglomerado de galáxias atuando como uma lente. Portanto, as miragens gravitacionais são como postos de sinalização da matéria escura e podem ajudar a determinar sua quantidade.
.
sábado, 23 de agosto de 2008
FORÇAS DE MARÉ ESTICAM SEU CORPO
Jules envelhece menos rapidamente que Jim, mas seu corpo paga muito caro por essa juventude prolongada. De fato, os efeitos gravitacionais do buraco negro sobre o seu corpo são extremamente desagradáveis. Na verdade, eles podem ser bem dolorosos. Á medida que ele desce em direção ao horizonte do buraco negro, Jules experimenta forças crescentemente fortes na cabeça e nos pés. Como seus pés estão mais próximos ao centro do buraco negro do que sua cabeça por seis pés – a altura de Jules – eles são afogados mais forçosamente em direção à singularidade. Estas diferenças no puxão gravitacional que atuam nas várias partes do corpo de Jules criam o que se chama uma “força de maré.” Isto é por analogia em relação a diferença na atração gravitacional exercida pela Lua nos oceanos e no centro da Terra, que dá origem às marés que fazem cair os castelos de areia deixados pelas crianças na praia. Cada um de nós que vive na Terra está sujeito a forças de maré similares, pois nossos pés estão mais próximos ao centro de planeta e portanto são mais atraídos fortemente a ele do que nossas cabeças. Se nós não sentimos desconforto como resultado disso, é porque o puxão gravitacional da Terra sobre nossos pés e cabeças varia por menos de uma parte em um milhão.
As coisas são bastante diferentes para nosso amigo Jules quando ele chega próximo ao horizonte do buraco negro. A diferença entre o puxão gravitacional em sua cabeça e pés aumenta inexoravelmente. As forças de marés exercidas pelo buraco negro tendem a esticá-lo como um fio de espaguete, e seu corpo está doendo cada vez mais. A uma distância de cerca de 13.000 km da superfície do horizonte, Jules experimenta uma força de maré equivalente a um quarto da gravidade da Terra; a 8.000 km, a força alcança 1g, e a 3000 km, 15g. Jules faz o melhor que pode para se pôr numa posição fetal, tentando colocar seus joelhos até sua cabeça, e fazer seu corpo tão pequeno quanto possível numa tentativa de contrabalançar as forças de maré (idealmente, se a cabeça e os pés de Jules pudessem imergir num simples ponto do espaço, e o tamanho do seu corpo pudesse encolher a zero, as forças de maré se anulariam). Mas é uma batalha perdida. As forças de maré são tão poderosas que elas forçam Jules a desenrolar suas pernas e seu corpo instantaneamente cai em oração ao assalto do arrasto do puxão gravitacional. Jules está em tal tormento que ele pode apenas ficar de pé. Ele decide retornar. Não há esperança para ele em algum tempo de alcançar a superfície do horizonte do buraco negro sem que seu corpo se despedace. Jules liga as máquinas de impulso da cápsula, a qual o coloca espiralando a uma órbita circular mais larga para eventualmente se encontrar com a espaçonave mãe.
Jules envelhece menos rapidamente que Jim, mas seu corpo paga muito caro por essa juventude prolongada. De fato, os efeitos gravitacionais do buraco negro sobre o seu corpo são extremamente desagradáveis. Na verdade, eles podem ser bem dolorosos. Á medida que ele desce em direção ao horizonte do buraco negro, Jules experimenta forças crescentemente fortes na cabeça e nos pés. Como seus pés estão mais próximos ao centro do buraco negro do que sua cabeça por seis pés – a altura de Jules – eles são afogados mais forçosamente em direção à singularidade. Estas diferenças no puxão gravitacional que atuam nas várias partes do corpo de Jules criam o que se chama uma “força de maré.” Isto é por analogia em relação a diferença na atração gravitacional exercida pela Lua nos oceanos e no centro da Terra, que dá origem às marés que fazem cair os castelos de areia deixados pelas crianças na praia. Cada um de nós que vive na Terra está sujeito a forças de maré similares, pois nossos pés estão mais próximos ao centro de planeta e portanto são mais atraídos fortemente a ele do que nossas cabeças. Se nós não sentimos desconforto como resultado disso, é porque o puxão gravitacional da Terra sobre nossos pés e cabeças varia por menos de uma parte em um milhão.
As coisas são bastante diferentes para nosso amigo Jules quando ele chega próximo ao horizonte do buraco negro. A diferença entre o puxão gravitacional em sua cabeça e pés aumenta inexoravelmente. As forças de marés exercidas pelo buraco negro tendem a esticá-lo como um fio de espaguete, e seu corpo está doendo cada vez mais. A uma distância de cerca de 13.000 km da superfície do horizonte, Jules experimenta uma força de maré equivalente a um quarto da gravidade da Terra; a 8.000 km, a força alcança 1g, e a 3000 km, 15g. Jules faz o melhor que pode para se pôr numa posição fetal, tentando colocar seus joelhos até sua cabeça, e fazer seu corpo tão pequeno quanto possível numa tentativa de contrabalançar as forças de maré (idealmente, se a cabeça e os pés de Jules pudessem imergir num simples ponto do espaço, e o tamanho do seu corpo pudesse encolher a zero, as forças de maré se anulariam). Mas é uma batalha perdida. As forças de maré são tão poderosas que elas forçam Jules a desenrolar suas pernas e seu corpo instantaneamente cai em oração ao assalto do arrasto do puxão gravitacional. Jules está em tal tormento que ele pode apenas ficar de pé. Ele decide retornar. Não há esperança para ele em algum tempo de alcançar a superfície do horizonte do buraco negro sem que seu corpo se despedace. Jules liga as máquinas de impulso da cápsula, a qual o coloca espiralando a uma órbita circular mais larga para eventualmente se encontrar com a espaçonave mãe.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
TEMPO CONGELADO POR UM BURACO NEGRO
Deixando a espaçonave em órbita a uma distância segura de centenas de milhares de quilômetros do buraco negro, bem longe de sua garra, Jules se transfere para uma pequena cápsula especialmente desenhada para explorar a vizinhança da superfície do horizonte. Ele sabe que tem que proceder com extrema cautela. Uma manobra falsa, e ele pode terminar em queda livre em direção à boca gulosa do buraco negro, jamais para ser vista ou ter notícias dela novamente. Seu plano é se aproximar do horizonte numa espiral, dirigindo sua cápsula numa órbita circular crescentemente mais restrita. Para isso ele inicia uma série de pequenas freadas. A primeira delas amortece seu movimento orbital inicial suavemente – a primeira que a cápsula compartilhou inicialmente com a espaçonave – e lhe habilita mergulhar numa órbita circular mais baixa, mais próxima ao buraco negro. Com uma segunda leve freada, a órbita se torna ainda mais estreita, e assim por diante.
À medida que ele desce à superfície do horizonte do buraco negro, Jules permanece em contacto com seu amigão Jim na Terra. A princípio, ainda longe do buraco negro, tudo parece normal. O tempo flui na mesma taxa para ambos amigos. Jim pode verificar que também é assim vendo as imagens de TV do relógio de Jules dentro da cápsula espacial. Mas na medida que Jules fica cada vez mais próximo do buraco negro, os sinais que ele envia a Jim têm uma crescente dificuldade para ficar livre do espaço distorcido pela forte gravidade. Os sinais de rádio perdem cada vez mais energia para escapar da garra do buraco negro. As figuras enviadas por Jules se tornam menos freqüentes e são atualizadas menos ainda no monitor da televisão de Jim. Este tem a impressão nítida que o tempo de Jules está se atrasando cada vez mais. Para se barbear, Jules em princípio leva um minuto, depois uma hora, um dia, então um ano pelo calendário de Jim. Jules exibe a mesma desenvoltura juvenil, a mesma vibrante cabeleira negra, e a mesma face lisa, enquanto a velhice está causando estrago em Jim, seu cabelo se tornando branco, seu rosto sendo invadido por inumeráveis rugas. Até onde Jim pode dizer, tudo em relação a Jules procede a passo de cágado. Mesmo suas faculdades mentais parecem ter diminuídas. Leva uma eternidade para Jules tomar a menor decisão.
A percepção de Jules da situação não é diferente da de seu amigo. Ele também observa que o tempo de Jim flui muito mais rápido do que o seu. As imagens de televisão enviadas por Jim da Terra capturadas pela forte força de gravidade pelo buraco negro alcançam a cápsula espacial cada vez mais rápidas e são renovadas numa vertiginosa taxa na tela de bordo da espaçonave. Enquanto Jules gasta nada mais que alguns dias descendo em direção ao horizonte do buraco negro, ele observa Jim na tela comemorar seu quadragésimo, qüinquagésimo, sexagésimo, septuagésimo, etc, aniversário. Com um ar de tristeza e o coração triste, ele vê seu velho amigo se tornar cada vez menos alerta e com crescentes problemas de saúde. O tempo voa mais rápido para Jim do que para Jules porque a situação não é simétrica entre os dois amigos. Jules experimenta os efeitos gravitacionais desagradáveis do buraco negro, enquanto que na Terra, Jim está blindado deles.
Existem outras conseqüências do fato de que o tempo de Jules amortece. Quanto mais ele se aproxima do buraco negro, sua fala transmitida a Jim se alonga e sua voz se torna profunda e modulada, não diferente do som cavernoso que ouvimos no cinema quando o fita freia e o projetor range ao parar. Por outro lado, Jules não nota qualquer coisa de anormal. Do seu próprio ponto privilegiado, tudo parece decorrer normalmente. Ele envelhece na mesma taxa como antes, suas faculdades mentais estão afiadas, e sua voz mantém o mesmo tom. Ao contrário, é a voz de Jim que aparece grosseiramente distorcida. Ela se torna crescentemente aguda ao ponto de quase ferir seus ouvidos; as palavras se empilham a um passo tão rápido que elas se tornam incompreensíveis, semelhantes ao som de uma fita de áudio sendo avançada rapidamente.
Deixando a espaçonave em órbita a uma distância segura de centenas de milhares de quilômetros do buraco negro, bem longe de sua garra, Jules se transfere para uma pequena cápsula especialmente desenhada para explorar a vizinhança da superfície do horizonte. Ele sabe que tem que proceder com extrema cautela. Uma manobra falsa, e ele pode terminar em queda livre em direção à boca gulosa do buraco negro, jamais para ser vista ou ter notícias dela novamente. Seu plano é se aproximar do horizonte numa espiral, dirigindo sua cápsula numa órbita circular crescentemente mais restrita. Para isso ele inicia uma série de pequenas freadas. A primeira delas amortece seu movimento orbital inicial suavemente – a primeira que a cápsula compartilhou inicialmente com a espaçonave – e lhe habilita mergulhar numa órbita circular mais baixa, mais próxima ao buraco negro. Com uma segunda leve freada, a órbita se torna ainda mais estreita, e assim por diante.
À medida que ele desce à superfície do horizonte do buraco negro, Jules permanece em contacto com seu amigão Jim na Terra. A princípio, ainda longe do buraco negro, tudo parece normal. O tempo flui na mesma taxa para ambos amigos. Jim pode verificar que também é assim vendo as imagens de TV do relógio de Jules dentro da cápsula espacial. Mas na medida que Jules fica cada vez mais próximo do buraco negro, os sinais que ele envia a Jim têm uma crescente dificuldade para ficar livre do espaço distorcido pela forte gravidade. Os sinais de rádio perdem cada vez mais energia para escapar da garra do buraco negro. As figuras enviadas por Jules se tornam menos freqüentes e são atualizadas menos ainda no monitor da televisão de Jim. Este tem a impressão nítida que o tempo de Jules está se atrasando cada vez mais. Para se barbear, Jules em princípio leva um minuto, depois uma hora, um dia, então um ano pelo calendário de Jim. Jules exibe a mesma desenvoltura juvenil, a mesma vibrante cabeleira negra, e a mesma face lisa, enquanto a velhice está causando estrago em Jim, seu cabelo se tornando branco, seu rosto sendo invadido por inumeráveis rugas. Até onde Jim pode dizer, tudo em relação a Jules procede a passo de cágado. Mesmo suas faculdades mentais parecem ter diminuídas. Leva uma eternidade para Jules tomar a menor decisão.
A percepção de Jules da situação não é diferente da de seu amigo. Ele também observa que o tempo de Jim flui muito mais rápido do que o seu. As imagens de televisão enviadas por Jim da Terra capturadas pela forte força de gravidade pelo buraco negro alcançam a cápsula espacial cada vez mais rápidas e são renovadas numa vertiginosa taxa na tela de bordo da espaçonave. Enquanto Jules gasta nada mais que alguns dias descendo em direção ao horizonte do buraco negro, ele observa Jim na tela comemorar seu quadragésimo, qüinquagésimo, sexagésimo, septuagésimo, etc, aniversário. Com um ar de tristeza e o coração triste, ele vê seu velho amigo se tornar cada vez menos alerta e com crescentes problemas de saúde. O tempo voa mais rápido para Jim do que para Jules porque a situação não é simétrica entre os dois amigos. Jules experimenta os efeitos gravitacionais desagradáveis do buraco negro, enquanto que na Terra, Jim está blindado deles.
Existem outras conseqüências do fato de que o tempo de Jules amortece. Quanto mais ele se aproxima do buraco negro, sua fala transmitida a Jim se alonga e sua voz se torna profunda e modulada, não diferente do som cavernoso que ouvimos no cinema quando o fita freia e o projetor range ao parar. Por outro lado, Jules não nota qualquer coisa de anormal. Do seu próprio ponto privilegiado, tudo parece decorrer normalmente. Ele envelhece na mesma taxa como antes, suas faculdades mentais estão afiadas, e sua voz mantém o mesmo tom. Ao contrário, é a voz de Jim que aparece grosseiramente distorcida. Ela se torna crescentemente aguda ao ponto de quase ferir seus ouvidos; as palavras se empilham a um passo tão rápido que elas se tornam incompreensíveis, semelhantes ao som de uma fita de áudio sendo avançada rapidamente.
Assinar:
Postagens (Atom)
